05/04/2010

Tora! Tora! Tora! Pearl Harbor é Atacada! A Guerra no Pacífico Começa.

Yamamoto - Filme Tora!Tora!Tora!

“Receio que tudo que tenhamos feito tenha sido despertar um gigante e enchê-lo de indignação”
(Almirante Yamamoto)

Manhã de 07 de dezembro de 1941. Um dia até então tranqüilo no Caribe. Na base naval americana de Pearl Harbor, a rotina segue a mesma. A maioria do contingente da base ainda dorme, o sol se mostra no horizonte e a leve brisa do oceano não dá sinais de que algo grandioso estava para acontecer. “Tora! Tora! Tora”, o código de ataque é emitido e de uma só vez, centenas de aviões Zero japoneses arremetem suas bombas contra os navios ancorados e aeronaves estacionadas na base naval. O caos se instaura. Cerca de 3000 americanos perdem a vida neste dia. Os Estados Unidos entram na Segunda Guerra Mundial.

Tora! Tora! Tora! é um excelente filme produzido em 1970, que em pormenores, ilustra toda a tensão ocorrida entre Estados Unidos e Japão até o dia do ataque à Pearl Harbor, fato que forçou a entrada imediata dos americanos no maior conflito da história mundial.

Tora! Tora! Tora! ilustra ambos pontos de vista de forma detalhada, além da personalidade de japoneses como o Almirante Isoroku Yamamoto, o capitão Ikameto “Gandhi” Ikurojima, o capitão-de-mar-e-guerra Minoru Genda, o almirante Kimmel e de vários outros oficiais, políticos e diplomatas do Japão e EUA. O filme também desmistifica a tese defendida de que o ataque foi fruto de conspiração do governo americano, apontando as inúmeras e sucessivas falhas burocráticas e omissões americanas e que propiciaram o quase êxito total da operação de ataque japonesa.

Para quem gosta do assunto e até quer se aprofundar um pouco, vale muito a pena assistir.

Yamamoto e demais oficiais do alto-escalão japonês - Tora! Tora! Tora

O ataque a Pearl Harbor é retratado no filme - Tora! Tora! Tora!

Tora! Tora! Tora! está disponível para venda no site Submarino.com

DVD Tora! Tora! Tora! - Duplo
DVD Fox Classics: Tora! Tora! Tora!
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15/03/2010

A "Guerra de Mentira" Entre Rússia e Georgia


As feridas da guerra entre a "poderosa" Rússia e sua ex-colônia soviética Géorgia ainda estão abertas desde 2008, e ao que tudo parecem, não irão cicatrizar tão cedo. Um conflito que deixou quase 1.000 mortos em apenas alguns dias (muitas fontes alternativas contabilizam mais de 3.000 mortos durante os combates), incluindo civis, e mais de 100.000 refugiados (muitos ainda permanecem nesta situação), deveria ser tratada com mais respeito e seriedade, mas não é isso que está acontecendo. Na época, o Exército Vermelho chegou a posicionar suas tropas à apenas 50km de Tbilisi, capital georgiana.

O canal ImediTV (pasmém, ele é estatal), transmitiu no sábado, dia 13.03.2010, às 20:00 horas, um comunicado de urgência informando que o país estava sendo novamente invadadido pelos russos, que o presidente Mikhail Saakashvili estava morto e que líderes opositores apoiavam o ataque. Para dar "veracidade" a notícia, imagens do conflito de 2008 eram retransmitidas sob a alcunha de serem recentes.

Não precisou de mais nada para instaurar o pânico geral no país. Coincidindo com o fato das linhas telefônicas no país estarem cortadas no momento da exibição das imagens da falsa guerra, o desespero deu-se início em uma nação que há menos de 18 meses já havia perdido centenas de militares para uma guerra sem causa. Hospitais afirmaram ter recebido inúmeras ligações com queixas de infartes, palpitações e outros problemas de saúde provocados em decorrência do falso comunicado de guerra.

Felizmente, a situação foi resolvida a tempo, contando ainda com a ajuda de correspondentes da BBC. A infeliz tentativa de imitar Orson Welles foi "cumprida em partes". Em 1938, Orson Welles produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres. Um exército que ninguém via, mas que, de acordo com a dramatização radiofónica, em tom jornalístico, acabara de desembarcar no nosso planeta. A diferença, como mesmo disse William Waack, foi que uma guerra entre humanos e extraterrestres era algo inexistentes, ao contrário de uma guerra entre Rússia e Geórgia, que era que era real, e já havia ocorrido.

O governo culpa a oposição, a oposição culpa o governo por toda a irresponsabilidade. A única coisa que se sabe é que mais uma vez a história ensina que morrer pelo seu país não vale a pena, se até mesmo seus líderes (causadores de todo esse conflito), nem sequer levam a guerra a sério.

O vídeo da "falsa guerra" se encontra disponível neste link (ps: apenas os primeiros segundos correspondem ao vídeo fake, o resto do vídeo se refere às repercussões do caso).

E pra quem pensar que eu exagerei e que fui crítico demais a uma "simples brincadeira", segue abaixo algumas imagens reais da guerra entre Rússia e Geórgia em 2008.

Guerra Rússia e Georgia: Pessoas choram suas perdas


Criança ferida na Guerra
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27/02/2010

Os Soviéticos Choram Suas Perdas Durante a Segunda Guerra Mundial

As perdas russas durante a Segunda Guerra Mundial

Nenhum país, nenhum povo, sofreu tanto quanto a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Em nenhum outro lugar as memórias da guerra permanecem tão vivas e tão profundas. A invasão alemã trouxe uma tal catástrofe, que parecia, a princípio, que nenhuma nação suportaria. Só no cerco a Leningrado, que durou mais de dois anos, morreram mais seres humanos do que britânicos e americanos durante toda a guerra. Contudo, foi aqui que Hitler desabou. O povo russo enfrentou a possibilidade da morte... e a venceu.

Contudo, apesar de estarem acostumados à inúmeras perdas durante toda guerra, os russos não fingiam estar imunes à dor. Dezenas de milhares de pessoas conheciam este poema de cor:
Espera por mim, e regressarei,
Mas espera muito.
Espera até se encheres de pena
Enquanto vês a chuva amarela.
Espera até os ventos
Varrerem as neves.
Espera no calor sufocante.
Espera até os outros desistirem
Quando esquecerem o Ontem.
Espera mesmo que não cheguem
Cartas de longe para você.
Espera mesmo quando os outros
Estiverem cansados de esperar.
Espera mesmo quando a minha mãe
E o meu filho pensarem que morri.
E quando os amigos se sentarem
Bebendo em minha memória.
Espera, e não se apresses a beber
Em minha memória também.
Espera, pois regressarei,
Desafiando cada morte.
E deixa aqueles que não esperaram
Dizer que tive sorte.
Eles nunca compreenderão
Que, no meio da morte,
Você, e a sua espera,
Me salvaram.
Apenas você e eu saberemos
Como sobrevivi.
Foi porque você esperou por mim
Como mais ninguém o fez.
Outro poema russo dizia o seguinte:
Não me chames, pai.
Não me procures.
Não me chames
Nem desejes o meu regresso.
Estamos num caminho desconhecido
O fogo e o sangue apagaram a rota.
Voamos, nas asas dos relâmpagos,
Para não mais desembainhar a espada.
Todos nós tombamos em batalha,
Para não mais voltarmos.
Haverá um reencontro?
Não sei.
Sei apenas que devemos
Continuar a lutar.
Somos grãos de areia no Infinito
E nunca mais veremos a luz.
Adeus, meu filho,
Adeus, minha consciência.
Minha juventude e meu consolo,
Meu único filho.
Que esta despedida seja o fim
Da vasta solidão,
Pois não há ninguém mais só.
Lá permanecerás
Para todo o sempre
Longe da luz e do ar.
A tua morte não será contada.
Não contada e não atenuada a morte,
Para não mais ressuscitar,
Para todo o sempre
Um rapaz de 18 anos.
Adeus, então.
Nenhum comboio chega dessa região
Com ou sem horário,
Nenhum avião pode aí chegar.
Adeus, meu filho,
Pois milagres não acontecem.
E, neste mundo,
Os sonhos não se realizam.
Adeus.
Sonharei contigo
Quando eras bebê,
Caminhando pela terra
Com passos fortes.
Pela terra onde já tantos
Estavam enterrados.
Esta canção, meu filho,
Chegou ao fim.
A Rússia foi salva, pelos soldados e pelo povo. Mas na terra, sem chegarem a ver a paz, jaziam 20 milhões de mortos.

Baseado no World at War (O Mundo em Guerra), produzido pela BBC em 1973.
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24/01/2010

Raphael Lemkin e Sua Luta Pessoal Contra os Crimes de Genocídio

A empreitada de Raphael Lemkin, um judeu de origem polonesa, começou em 1913, quando o jovem de 12 anos lera “Quo Vadis?”, escrito pelo vencedor do prêmio Nobel Henryk Sienkiewicz, que relata os massacres comandados pelo imperador romano Nero contra os cristãos convertidos no século I. Aos 21 anos, quando estudava lingüística na Universidade de Lvov, o jovem acadêmico se deparou com a manchete nos jornais sobre o assassinato de Talaat Pasha, ex-ministro do Interior da Turquia e responsável direto pelo massacre de cerca de um milhão de armênios em território turco durante a Primeira Guerra Mundial. No dia 14 de março de 1921, no pequeno distrito berlinense de Charlottenburg, o jovem armênio de 24 anos Soghomon Tehlirian, desferiu um tiro por trás a queima roupa na nuca de Talaat, que o matou instantaneamente. Tehlirian foi rapidamente dominado e espancado por pedestres que passavam pelo local.

Lemkin não conseguia compreender a incoerência em ser considerado crime Tehlirian matar um homem, mas ao mesmo tempo não ser crime seu opressor ter matado mais de um milhão. Nessa época, o termo “genocídio” ainda não existia, mas Raphael Lemkin já se indignava com o fato de que a soberania que cada Estado possuía pudesse ser utilizada para a realização de atividades que não se limitavam a proporcionar o bem-estar social do povo, mas sim como uma autorização para matar milhões de pessoas inocentes. Raphael Lemkin também chegou a ler sobre o malogrado esforço britânico em punir os criminosos de guerra turcos responsáveis pela matança de armênios, esforço esse que foi definitivamente mal-sucedido quando em 1920 o líder nacionalista turco Mustafá Kemal (conhecido como Atatürk) prendeu 29 soldados britânicos. Que foram libertados apenas com uma troca de prisioneiros, onde todos os suspeitos turcos sob a custódia do Reino Unido foram repatriados.

O julgamento de Tehlirian expôs ao mundo os horrores cometidos pelos turcos contra os armênios. As provas e testemunhas trazidas à baila pela defesa de Soghomon derrubaram a tese turca de que os armênios estavam sendo “apenas deportados”, e não aniquilados. No final do julgamento, o armênio foi absolvido, sob a justificativa de que agira como executor da consciência da humanidade. Tal acontecimento incomodou Lemkin, que mais do que tudo queria que a houvesse uma legalização da punição para assassinos de massa.

Lemkin, que cresceu na região polonesa de Bialystok, conviveu de perto com a chacina desde pequeno. Em 1906, pogroms (extermínio sistemático de judeus) realizados na região, assassinaram cerca de setenta judeus e feriram outros noventa. Durante a Primeira Guerra Mundial, Raphael Lemkin, seus pais e irmãos foram forçados a se refugiar na floresta enquanto fogos da artilharia alemã destruíam a casa da fazenda. Os alemães ainda se apoderam da colheita, do gado, dos cavalos e de todos os bens da família. Durante o refugio na floresta, um dos irmãos de Lemkin, Samuel, morreu de pneumonia e subnutrição. Logo após o assassinato de Talaat, o jovem Lemkin, que sempre acreditou no poder das palavras, sobretudo pela capacidade esclarecedora que as palavras têm em uma cultura, atormentado pelo seu passado, abandonou a filologia (evolução das línguas) e transferiu-se para a faculdade de Direito de Lvov, onde se dedicou ao estudo de prelecionando sobre a proibição de chacinas.

A frustrada tentativa de Lemkin de criar a "Repressão Universal" durante a década de 1930.

Em 1933, já formado como advogado, exercendo a função de promotor público e fluente em várias línguas, Raphael Lemkin havia elaborado um projeto de lei para ser apresentado em uma conferência sobre Direito Internacional em Madri, que alertava para a ascensão de Hitler na Alemanha e para a matança dos armênios pelos otomanos, fato muito desprezado pelos europeus. Lemkin preverá que se aconteceu uma vez, aconteceria de novo. Lemkin propôs uma Lei internacional proibindo a destruição de nações, raças e grupos religiosos, criando assim, a “repressão universal”, uma precursora da “jurisdição universal”. Os responsáveis por tais atos deveriam ser punidos onde quer que fossem detidos, independente do local onde fossem detidos, da nacionalidade ou da condição de autoridade do criminoso. Raphael Lemkin acredita que uma ameaça real de punição produziria uma mudança na prática. A lei também vetava duas práticas associadas, a barbárie, que foi definida como “a destruição premeditada de coletividades nacionais, raciais, religiosas e sociais” e o vandalismo, que foi classificado como sendo a “destruição de obras artísticas e culturais que sejam a expressão do gênio particular dessas coletividades”.

Infelizmente, Joseph Beck, Ministro do exterior polonês, que estava tentando agradar à Hitler, recusou permissão para Lemkin ir viajar à Madri e apresentar pessoalmente suas idéias. Seu rascunho teve que ser lido em voz alta na sua ausência, fato que talvez tenha gerado desinteresse e encontrado poucos aliados para sua proposta. Além disso, a Liga das Nações (precursora da ONU) estava ocupada demais para fazer uma lei conjunta em favor de minorias ameaçadas. Por tal proposta, Lemkin foi acusado de tentar elevar os status dos judeus e segundo o próprio Beck, de “insultar nossos amigos alemães”, no que diz respeito às críticas ao regime de Hitler.

A invasão da Polônia no início da Segunda Guerra Mundial e a fuga de Lemkin para a Lituânia, Suécia e Estados Unidos.

No dia primeiro de setembro de 1939, confirmando as previsões do próprio Lemkin, Hitler invadiu a Polônia. Seis dias depois, Lemkin empreendeu fuga pelo território polonês, onde viu o trem que estava ser bombardeado pelo Luftwaffe, e teve que caminhar por dias pelas florestas próximas, para tentar se proteger dos pesados ataques aéreos alemães. Depois de se refugiar em uma cidadezinha na metade da Polônia ocupada pelos soviéticos, pegou um trem até a cidade onde seus familiares moravam, em vão, uma vez que não conseguiu convencê-los de fugirem. Raphael Lemkin primeiramente foi para a Lituânia, até que, em fevereiro de 1940, obteve asilo do governo sueco. Passou a dar aula de Direito Internacional na Universidade de Estolcomo, onde começou a compilar os decretos legais que os nazistas haviam emitido em cada um dos países que ocuparam. Lemkin queria mostrar como o Direito podia ser usado para propagar o ódio e incitar assassinatos em massa.

Em abril de 1941, Raphael Lemkin se mudou para os Estados Unidos, onde começou a lecionar na Universidade de Duke, onde passou também a divulgar os crimes de Hitler em câmaras de comércio, grupos femininos e faculdades. Em 1942, foi contratado como consultor-chefe pelo Conselho de Economia de Guerra e pela Administração da Economia Externa em Washington, e, em 1944, como especialista em Direito Internacional pelo departamento de Guerra dos Estados Unidos. No entanto, seus apelos, inclusive direcionados ao presidente Roosevelt, não surtiram efeito.

A criação do termo "Genocídio"

Ao ver um discurso do Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, que referia ao extermínio alemão na Europa como um “crime sem nome”, Lemkin então se pautou para buscar um novo termo, que pudesse cristalizar esse crime em uma palavra que denotasse algo único e perverso, surgiu então, o termo Genocídio.


Raphael Lemkin (direita) juntamente com o embaixador brasileiro Gilberto Amado (esquerda), antes da Assembléia Geral da ONU na Convenção de Prevenção e Punição dos Crimes de Genocídio, aprovada no dia 11 de dezembro de 1948, em Palais de Chaillot, Paris, França.
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O Assassinato da Candidata à Presidência Benazir Bhutto no Paquistão em 2007

Na saída de um comício do Partido do Povo Paquistanês na cidade de Rawalpindi, próxima a capital do país, Islamabad, um homem-bomba sob a bandeira da Al Qaeda conseguiu balear no pescoço e no peito, a recém repatriada (após oito anos de exílio) e antiga primeira-ministra Benazir Bhutto. No instante seguinte, o mesmo terrorista explodiu a bomba que ainda estava amarrada ao seu corpo, matando mais outras quinze pessoas. Levada para o hospital local em estado gravíssimo, Bhutto não resistiu e veio a falecer.

Momento da Explosão da Comitiva de Benazir Bhutto
Foto tirada no momento em que a explosão atinge o comboio onde estava Benazir Bhutto.

A morte da líder da oposição não foi de todo surpresa, pois não era a primeira tentativa que sofrera. Quando desembarcou do seu exílio, no dia 27 de outubro de 2007, Benazir foi recebida por mais de 100 mil pessoas, e nesse dia, durante o desfile por Islamabad, duas explosões perto dos carros da sua comitiva mataram 140 pessoas e feriram mais de 200. Bhutto denunciava incessantemente que fanáticos seguidores do antigo regime do General Muhammad Zia Ul-Haq, o mesmo que havia deposto seu pai na década de 1970.

A esquerda, Benazir Bhutto quando era líder do diretório estudantil na universidade de Oxford. Anos depois, na foto da direita, Bhutto já se apresenta como a primeira-ministra do Paquistão.

Bhutto foi a primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um estado muçulmano moderno, sendo primeira-ministra do Paquistão por duas vezes. Bhutto havia colecionado vários inimigos, primeiro por ser mulher, e segundo por adotar uma posição laica (Estado separado da religião) com relação a varias áreas como foi o caso das violações aos Direitos Humanos em um país fundamentalmente islâmico. Porém, sua vida política foi marcada por apóio a milícia Talibã no Afeganistão e acusações de corrupção durante seu governo.

Sua morte causou um grande retrocesso democrático no Paquistão e no mundo islâmico em geral. Uma série de represálias violentas foi realizada por partidários e simpatizantes de Bhutto após sua morte. Varias edificações foram atacadas e incendiadas e as pressões internas e externas exigindo a renúncia do então presidente, Pervez Musharraf, se intensificaram. O mundo inteiro se opôs contra a violência no Paquistão, inclusive a vizinha Índia, sua inimiga histórica.

Milhares de paquistanes se mobilizaram e acompanharam pelas ruas de Islamabad o enterro de Benazir Bhutto. A grande preocupação das autoridades no dia foi que no dia novos ataques pudessem ocorrer.
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Análise da Lei 11.900. Economia e Praticidade Para o Processo Penal ou Cerceamento da Defesa do Réu?

Foi publicada no Diário Oficial da União, a Lei n.º 11.900, que altera o Código de Processo Penal e prevê a possibilidade do juiz decidir sobre a realização de interrogatórios de presos por meio de videoconferência, em casos de risco à segurança pública (principalmente de preso que integre organização criminosa), quando o réu tiver dificuldade de locomoção ou para impedir a influência do réu sobre a testemunha ou a vítima.

Uma Lei semelhante foi aprovada no estado de São Paulo em 2005, porém o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a inconstitucionalidade da mesma, pois apenas a União possui competência para legislar sobre matéria penal. Nos Estados Unidos por exemplo, os estados possuem maior autonomia legislativa com relação à Washington, e no caso, são livres para legislarem em matéria penal. Isso se ilustra no fato de que alguns estados americanos adotam a pena de morte, enquanto outros não.

Entre os benefícios trazidos pela lei, estão o fato de que milhares de policiais em todo o Brasil que antes realizavam serviços de segurança e escolta a presos poderão ser realocadas para outras funções, além de atuarem no serviço de rua. Além disso, milhões de reais por ano serão economizados por ano com a nova lei, recursos esses que podem ser aplicados em outras áreas.

Casos como as as operações de locomoção cinematográficas de Fernandinho Beira-Mar dos presídios de Catanduvas (PR) e de Campo Grande (MS) para o Rio, para prestar depoimento. Operações essas que envolveram até helicópteros e custaram mais de 30 mil reais aos cofres públicos. Não sei qual será a nova posição do STF quanto ao caso específico, uma vez que os próprios desembargadores concederam há tempos atrás um Habeas-Corpus permitindo que o marginal possa acompanhar todas as audiências fisicamente (o presídio de Catanduvas-PR, onde ele está preso, já possui condições de realizar videoconferências).

Fernando-Beiramar desembarcando no Aeroporto Santos Dummont no Rio de Janeiro: os custos operacionais de sua escolta superam os 30 mil reais por audiência. Nova lei permitirá realocar forças policiais destinadas à segurança e escolta de presos.

PARA ACESSAR A ÍNTEGRA DA LEI, CLIQUE AQUI
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O Caso Cesare Battisti

No dia 13 de janeiro de 2009, o Ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu asilo político ao italiano Cesare Battisti, acusado de ser o autor de quatro homicídios entre os anos de 1977 e 1979, quando era membro do grupo terrorista de extrema-esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), do mesmo braço da conhecida Brigada Vermelha, responsável pelo famoso seqüestro e assassinato do político Aldo Moro. Tal decisão invalidou a o parecer do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), órgão competente para atuar nessa seara, bem como suspendeu o processo de extradição movido pelo governo italiano contra o terrorista. Batisti foi condenado na Itália à prisão perpétua, porém foragido, viveu livre na França beneficiado pela "doutrina Mitterrand" e se tornou escritor de romances antes de se foragir no Brasil.

Cesare Battisti
O terrorista italiano Cesare Battisti

Genro, com sua fundamentação repleta de revanchismo, desconsiderou todas as duas sentenças condenatórias atribuídas à Battisti na Itália, e de condenado à prisão perpétua, passará a ser um homem livre no Brasil. Genro ainda completa fazendo uma clara apologia à atos terroristas, dizendo que é comum e previsível que, nos momentos de extrema tensão social e política, aparatos ilegais e/ou paralelos comandados por pessoas que se erigem à condição de justiceiros de fato, passem a funcionar, mesmo no Estado de Direito. Contudo Tarso Genro se contradisse, uma vez que pessoas que cometeram crimes hediondos, atos terroristas ou praticaram tráfico de drogas não podem, de acordo com a lei, ser beneficiadas pelo asilo político. Vale ressaltar que Cesare em 2002, proclamou a seguinte frase "assumo este período histórico", sem dar detalhes de seus envolvimentos nesses assassinatos.

A grande verdade é que o Ministro Tarso Genro se identificou com a trajetória do ex-militante de extrema-esquerda italiano, e claramente usou de argumentos pessoais para julgar o caso e conceder a anistia. Durante a década de 1980, Genro foi juntamente com José Genoíno, fundador do PRC (Partido Revolucionário Comunista), uma organização política de extrema-esquerda (assim como era a PAC) que atuou clandestinamente durante o regime militar no Brasil, findando em 1989.

Pierluigi Torregiani
Jornal italiano dá época, mostrando o corpo de Pierluigi Torregiani, morto por Battisti.

Da mesma forma, o Ministro da “Justiça” é profundo defensor da revisão da Lei da Anistia no que diz respeito ao aumento do valor das pensões e indenizações atribuídas à todos aqueles que lutaram na clandestinidade durante a ditadura militar e em contrapartida defende o atropelamento da mesma pedindo a cassação da decisão em última instância que anistiou todos os agentes políticos pró-governo durante o regime militar.

Tarso Genro também defendeu o fato da viúva do ex-capitão e desertor do Exército Brasileiro, Carlos Lamarca, receber mais de 12 mil reais por mês a título de pensão, além de um valor indenizatório de mais de 300 mil reais. Lamarca, que foi elevado à condição de herói nacional, elenca entre seus feitos “heróicos” diversos assaltos a banco, seqüestros, assassinatos à sangue frio. Vale ressaltar que o mesmo tratamento não foi dado à essas pessoas que foram feridas ou assassinadas durante o regime militar por terroristas. Curiosamente, uma das vítimas de Lamarca à época trabalhava exercendo a função de segurança de um banco até ser baleado, quando se viu então forçado a se aposentar por invalidez, onde passou a receber pensão de um salário-mínimo mensalmente, sem direito à reajuste e indenização.

Fato é que o Sr. Tarso Genro, um falso herói criado na ditadura militar, e tantos outros do alto escalão do governo, não chegaram aos cargos que ocupam propriamente dito por seus méritos (Ministro do STF principalmente), e enquanto o Brasil não for um país sério, comandando por pessoas sérias e capacitadas, situações como essa se repetirão.

Tarso Genro
O Ministro da Justiça Tarso Genro. Um ex-extremista durante a ditadura ocupasse hoje um dos cargos mais importantes do Brasil.

LISTA DE VÍTIMAS DE BATTISTI:

- Antonio Santoro, agente penitenciário, morto em 6 de junho de 1978 , em Udine. Battisti foi apontado como autor do disparo contra a vítima.

- Lino Sabbadin, morto em 19 de fevereiro de 1979 na província de Santa Maria di Sala, Cesare fez parte da cobertura armada montada para matar a vítima.

- Pierluigi Torregiani, morto em 16 de fevereiro de 1979 em Milão, Battisti foi condenado por ser mentor e organizador do assassinato.

- Andrea Campagna, agente da DIGOS, morto em 19 de abril de 1979 em Milão, Battisti foi apontado como autor do disparo contra a vítima.

Andre Campagna
Andrea Campagna

CARTA ESCRITA PELO FILHO DE UMA DAS VÍTIMAS DE BATTISTI E ENDEREÇADA AOS BRASILEIROS.

Adriano Sabbadin, hoje com 46 anos, tinha somente 17 quando Cesare Battisti e seu bando entraram no açougue de seu pai e o mataram. Ele escreve uma carta aberta aos brasileiros, que foi publicada no Corriere del Veneto:

"Vivo em uma pequena cidade na província de Veneza, escrevo a todos os brasileiros, pois hoje me sinto profundamente ferido pela decisão de vosso ministro da Justiça de considerar Cesare Battisti um refugiado político. Há 30 anos ele assassinou meu pai, não quero vingança, mas uma justiça que não chega. Quem é Battisti: ele começou na política dentro do cárcere, detido que estava por crimes comuns, aí conheceu o terrorista de extrema esquerda, Arrigo Cavallina.

A primeira vítima dos Proletários Armados para o Comunismo – PAC, foi o suboficial da guarda carcerária Antonio Santoro. Quando este sai de casa para o trabalho, Battisti lhe atira nas costas (6/6/1978). Retornando ao seu grupo ele conta excitado à sua companheira, os efeitos de ver "alguém jorrando sangue". Depois de uma série de assaltos o grupo resolve centrar contra aos agentes da "contra-revolução", isto é, comerciantes que haviam reagido contra assaltos comuns.

Inicialmente pensou-se em somente feri-los, mas a vontade de mostrar a própria força a outros grupos de terroristas de esquerda, convence o PAC que é necessário fazer ver que se é capaz de matar. Chegaram a nosso açougue pelas 4 e meia da tarde. Meu pai, ajudado por minha mãe atendiam a algum cliente, eu estava nos fundos falando ao telefone, quando ouvi os tiros de pistola que ribombavam nos meus ouvidos, apavorado corri para nossa casa que ficava no andar superior, depois de longíssimos minutos vi homens que saiam num carro em disparada. Quando cheguei ao açougue, vi minha mãe com o avental branco todo ensangüentado e meu pai no chão dentro de uma poça de sangue, a ambulância chegou rapidamente, mas nada pode fazer. Nos processos, seja a perícia e o testemunho de um arrependido, fez ver que Battisti tinha dado, sem piedade, os tiros mortais em meu pai. Battisti esteve sempre presente no grupo armado, colocando à disposição sua experiência de bandido e ficou conhecido por sua determinação em matar, jamais hesitando em fazê-lo. Por todos estes crimes Battisti cumpriu somente um ano da cadeia, enquanto minha vida ficou completamente destruída, me vi aos 17 anos como o chefe de família e um vazio que com o tempo só fez aumentar. Não pode existir paz sem justiça e a minha família, justiça não a teve.

Não consigo entender o que levou vosso ministro da Justiça e classificar Battisti como um refugiado político, declarando que na Itália existem aparatos ilegais de repressão ligados a Máfia e a CIA (Central Intelligence Agency), por isso não pode conceder a extradição, o fato me parece uma folia e mais que isso, ofensivo à nossa democracia. Peço que façam um apelo ao vosso presidente para que reveja essa decisão.

Adriano Sabbadin"

Lino Sabbadin
Foto de Lino Sabbadin, assassinado em 19 de fevereiro de 1979, pai de Adriano Sabbadin (Autor da Carta Protesto).
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O Atentado Terrorista em Lockerbie

No dia 21 de dezembro de 1988, o Boeing 747-121 da Pan Am que partira de Londres com destino a Nova Iorque explodiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, matando todos os 243 passageiros e 16 tripulantes do avião e mais 11 pessoas em terra. Do total, 189 vítimas eram cidadãos americanos.

Policial anda sobre os destroços do Boeing 747-121 da Pan Am.
Policial anda sobre os destroços do Boeing 747-121 da Pan Am. Todos os 243 passageiros e 16 tripulantes do avião morreram, além de mais 11 pessoas em terra.

Após 3 anos de investigação, a força tarefa chegou aos indiciados Abdel Basset Ali al-Megrahi, agente da inteligência do serviço secreto líbio e Lamin Khalifah Fhimah. As sanções impostas pela ONU à Líbia e as negociações com o líder libanês Muammar al-Gaddafi asseguraram a extradição dos acusados para a Holanda, onde foram julgados em tribunal neutro. Megrahi confessou sua participação e foi sentenciado a 27 anos de prisão. Fhimah foi absolvido.

O governo libanês, pressionado internacionalmente, assumiu as conseqüências do atentado, inclusive no apóio e pagamento de indenizações as vítimas de Lockerbie. Megrahi, atualmente preso e sofrendo de câncer, já teve recusado um pedido de prisão domiciliar e atualmente espera por um segundo julgamento.

Abdel Basset Ali al-Megrahi
Abdel Basset Ali al-Megrahi, ex-agente da inteligência do serviço secreto líbio, condenado a mais de 27 anos de prisão.

Foto do memorial dedicado a todas as vítimas que morreram no atentado de Lockerbie.
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O Massacre Contra a Delegação de Israel nas Olimpíadas de Munique em 1972 e as Consequências Dessa Tragédia.

No dia 5 de setembro de 1972, oito terroristas do Grupo Setembro Negro conseguiram entrar sem maiores dificuldades na Vila Olímpica e invadiram armados de fuzis e granadas os alojamentos da delegação de Israel, assassinando logo na primeira investida, Moshe Weinberg, treinador do time de luta, e Joe Romano, campeão de levantamento de peso, e por fim, fazendo como reféns nove membros da delegação foram feitos reféns.

Terrorista palestino aparece na sacada horas depois do grupo invadir a Vila Olímpica e fazer 9 atletas israelenses reféns.
Terrorista palestino aparece na sacada horas depois do grupo invadir a Vila Olímpica e fazer 9 atletas israelenses reféns.

Horas depois, os terroristas exigiram um avião para levar o grupo e os reféns a capital do Egito, Cairo. Prontamente foi elaborada uma desastrosa operação militar que visava eliminar os terroristas num aeroporto próximo de Munique, o Fürstenfeldbruck. Como se viria depois a constatar, as forças policiais alemãs estavam muito mal preparadas e a situação fugiu do controle. Essa tentativa frustrada de libertação dos reféns levou à morte de todos os 9 atletas (sendo que 2 já estavam mortos quando da invasão do apartamento na Vila Olímpica), além de mais cinco terroristas e um agente da polícia alemã. Três terroristas sobreviveram ao ataque e foram presos.

O resultado desastroso da tentativa de resgate no aeroporto de Fürstenfeldbruck, próximo a Munique. Todos os atletas israelenses foram mortos, além de outros 5 terroristas e um soldado alemão.
O resultado desastroso da tentativa de resgate no aeroporto de Fürstenfeldbruck, próximo a Munique. Todos os atletas israelenses foram mortos, além de outros 5 terroristas e um soldado alemão.

Embora os atos de terror palestino contra Israel não fossem novidade na época, nenhum teve o efeito dramático deste, perpetrado contra atletas olímpicos de alto nível e com cobertura ao vivo de toda a imprensa mundial. Como conseqüência do embaraçoso desfecho, o governo alemão criou a famosa unidade policial contraterrorista, o GSG-9, para lidar melhor com situações semelhantes. Esta unidade se transformou num exemplo mundial no combate ao terrorismo. Após Munique, todos os eventos esportivos passaram a contar com um rigoroso esquema de segurança. E por fim, a Mossad (serviço de inteligência israelense) empreendeu nos anos seguintes uma impiedosa caçada aos autores do atentado de Munique.

Fotos dos 11 membros da delegação israelenses mortos nos atentados de Munique. Moshe Weinberg, Jakov Springer, Eliezer Halfin, Amitzur Shapira, Mark Slavin, Kehat Shorr, Joseph Gottfreund, André Spitzer, David Berger, Zeev Friedman e Joseph Romano.
Fotos dos 11 membros da delegação israelenses mortos nos atentados de Munique. Moshe Weinberg, Jakov Springer, Eliezer Halfin, Amitzur Shapira, Mark Slavin, Kehat Shorr, Joseph Gottfreund, André Spitzer, David Berger, Zeev Friedman e Joseph Romano.

Os terroristas que participaram dos atentados de Munique em 1972. Na parte superior da foto, os três sobreviventes: Adnan Al-Gashey, Jamal al-Gashey e Mohammed Safady. Al-Gashey e Safady foram mortos pela Mossad posteriormente. Abaixo, os cinco terroristas mortos na operação de resgate dos reféns no aeroporto: o líder do grupo Massalha Mohammed, seu adjunto Nazzal Yusuf, Ahmed Chic Thaa, Afif Hamid Ahmed e Khalid Jawad.

Emblema do grupo antiterrorista alemão GSG9, criado logo após os atentandos de Munique. Hoje em dia o GSG9 é considerado como uma das tropas de combate a ações terroristas mais bem qualificadas do mundo.
Emblema do grupo antiterrorista alemão GSG9, criado logo após os atentandos de Munique. Hoje em dia o GSG9 é considerado como uma das tropas de combate a ações terroristas mais bem qualificadas do mundo.

Munique (Munich) - FILME - A Vingança de Israel Após a Tragédia Ocorrida nas Olímpiadas de Munique em 1972.

O filme Munique é baseado em fatos reais e foca os acontecimentos posteriores aos Atentados de Munique em 1972, onde 11 membros da delegação israelense, 5 terroristas do grupo terrorista Setembro Negro e um agente da polícia alemã foram mortos. Após a tragédia (que foi acompanhada pela televisão por mais de 900 milhões de pessoas no mundo inteiro), o governo israelense planejou uma vingança contra aqueles que foram considerados como sendo os “mentores” do ataque. Avner, agente do Mossad (serviço secreto de Israel) e ex-segurança pessoal de Golda Meir, é encarregado de comandar um pequeno grupo secreto que terá como objetivo matar os onze terroristas culpabilizados pela tragédia nas Olimpíadas. É mostrado durante o filme diferentes técnicas e táticas usadas tipicamente por terroristas e guerrilheiros (assassinatos em público e principalmente o uso de bombas). Contudo, a grande questão do filme se dá quando Avner, com o passar do tempo, começa a se sentir manipulado pela grande sujeira política “camuflada” em forma de vingança. À época, a lista de árabes a serem executados pela Mossad foi elaborada utilizando-se de critérios econômicos e de poder político.

Informações adicionais:

Um detalhe curioso do filme é que Guri Weinberg interpreta o seu próprio pai em filme. Moshe Weinberg era o treinador da equipe de luta livre israelense e foi o primeiro a ser assassinado pelos terroristas, logo na investida na Vila Olímpica. Além disso, o filme recebeu 5 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição, além de outras 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Roteiro.

Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição, além de outras 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Roteiro.


DADOS TÉCNICOS:

Título Original: Munich
Ano de Lançamento: 2007
Elenco: Mathieu Kassovitz, Daniel Craig, Eric Bana e Ciaran Hinds
Direção: Steven Spielberg
Recomendação: livre
Trilha sonora: Não disponível
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O Atentado de Oklahoma City e os Assédios de Ruby Ridge e Waco: O Terrorismo Cristão nos Estados Unidos Mostra sua Força.

Às 9 horas da manhã do dia 19 de abril de 1995 em Oklahoma City, foi estacionado um caminhão Ryder com cerca de 2300 quilos de explosivos em frente ao edifício federal Alfred P. Murrah. A bomba caseira era feito de uma mistura caseira conhecida como ANFO (nitrato de amônia misturada com nitro metano). A explosão foi tão poderosa que destruiu completamente a fachada e destruiu boa parte do edifício, além do mais, seus efeitos foram sentidos há 48 quilômetros de distância. No total, 168 oito pessoas morreram na explosão, que deixou também mais de 800 feridos.

Oklahoma City - O bombeiro Chris Fields retirando o pequeno Baylee Almon dos escombros do prédio Alfred. P. Murrah
O bombeiro Chris Fields retirando o pequeno Baylee Almon dos escombros do prédio Alfred. P. Murrah. A foto, tirada pelo fotógrafo amador Charles Porter, na época com 25 anos, foi vencedora do prêmio Pulitzer no ano de 1996 (o prêmio mais importante da fotografia mundial).

Pouco mais de uma hora depois, Timothy McVeigh, um veterano da Guerra do Golfo, foi preso enquanto viajava para norte de Oklahoma City por conduzir um Mercury ano 1977 sem placa. Em um cruzamento de dados, Veigh foi responsabilizado pelo FBI ao atentado e ainda declarou que havia escolhido o edifício federal Alfred. P. Murrah Federal pela possibilidade de colocar os explosivos em um lugar que possuía um espaço aberto ao redor, que facilitaria as fotografias e as filmagens das equipes de televisão, o que potencializaria os efeitos do atentado. Junto com ele, foi preso Terry Nichols (cada um dos dois sofreu 11 condenações de pena de morte por cada uma delas). Vale ressaltar que os dois não representavam um grupo, organização ou movimento em particular, porém estavam expressando suas próprias opiniões anti-sociais e anti-governamentais (que afirmavam que eram patriotas que protegiam a Constituição de um governo maligno). Obviamente, as causas não foram estritamente políticas. Também se tratou de um comportamento anormal, podendo ser interpretado como psicopata no sentido mais grave ou criminoso no sentido mais restrigindo.

Fachada do Prédio Alfred. P Murrah Oklahoma City
Fachada do prédio Alfred P. Murrah em Oklahoma City após os atentados.

Em seu julgamento, o governo dos Estados Unidos declarou que a motivação de McVeigh foi a de vingar o assédio de Waco e Ruby Ridge. Em ambos os casos, as pessoas foram mortas por agentes do governo federal. Condenado a morte, Timothy cumpriu a sentença no dia 11 de junho de 2001, sendo-lhe aplicadas injeções letais. Os Estados Unidos não só perdeu sua “invencibilidade” em seu próprio território, bem como permitiu que pequenos grupos radicais organizados com pouca ou sem alguma coesão e com apoios isolados, pudessem atuar com certa impunidade. O atentado em Oklahoma City mostrou a seriedade do problema. Tal atentado era considerado até os ataques de World Trade Center, em 2001, como o maior ataque terrorista em solo americano.

Abaixo, entenda sobre o que foram os assédios de Waco e Ruby Ridge.

O Caso Ruby Ridge

O caso de Ruby Ridge se deu em agosto de 1992 no pequeno povoado de Ruby Ridge. As origens desse incidente ocorreram no ano de 1989, quando Randy Weaver, um miliciano de um grupo de Idaho que pregava a supremacia branca, vendeu dois rifles de guerra a um agente americano da ATF (Alcohol, Tobacco and Firearms Bureau) que trabalhava disfarçado. Citado para prestar esclarecimentos na justiça, Weaver acabou sendo prejudicado por um erro no juizado em que foi denunciado, que fez com que o mesmo não fosse citado para comparecer na data correta em juízo em 1992. Com uma ordem de prisão contra sua pessoa, Weaver se trancou em sua casa, junto com sua mulher, seus quatro filhos e seu amigo Kevin Harris e, ameaçou matar qualquer um que se aproximasse.

No dia 21 de agosto de 1992, um grupo de Marshals (braço armado do FBI), matou o cachorro da família, que se encontrava no lado de fora da casa, fazendo com que Weaver saísse de dentro da casa e empreendesse um tiroteio que resultou na morte de um agente e do filho de Weaver, Sammy, de 14 anos. No dia seguinte, um novo tiroteio matou a esposa de Weaver, que segurava um dos filhos do casal, de 10 meses. Como consequência desse desastroso ato, cinco altos oficiais do FBI foram suspensos, incluindo o diretor Larry Potts. Além disso, o Estado pagou cerca de três milhões e cem mil dólares à família Weaver. Contudo, a importância desse caso se deu no fato de que pela primeira vez na história americana, grupos de supremacia branca conseguiram criar um mártir pelas mãos do Estado, o que se constitui um dos maiores objetivos de organizações terroristas.

O Assédio de Waco e o “Messias” David Koresh

O incidente ocorrido no ano seguinte, em Waco, cidade no Texas, está intimamente ligado aos acontecimentos de Ruby Ridge, porém as consequências foram muito maiores e mais uma vez o FBI e a ATF figuram na lista de acusados de mortes desnecessárias.

A igreja Davidiana, uma seita com relações com a identidade cristã e bases remotas advindas dos Adventistas de Sétimo Dia, foi criada na década de 1950. Durante três décadas, essa pequena comunidade funcionou de forma pacífica, até que no final dos anos 1980, Vernon Howell, foi nomeado líder da seita. Em 1990, Howell alterou seu nome para David Koresh (nome que, segundo ele mesmo dizia, significava “Ciro” em hebreu, nome de antigo rei a qual ele acreditava reencarnar). Koresh também era o nome que Cyrus Read Teed, ex-cabo do exército, adotou em 1870 quando fundou uma seita que durou por mais de cem anos.

Koresh, crendo ser a reencarnação de cristo, mudou o nome da antiga Monte Carmelo para Rancho Apocalipsis, e usando de suas “prerrogativas divinas”, não dispensava de prazeres vedados aos demais membros, como jovens mulheres adolescentes (uma de suas esposas que fugiu contou que ele chegou a ter 18 esposas, a maioria menor de idade), comida de qualidade e de poder assistir Jean Claude Van Damme na televisão.

Com a premissa de evitar retaliações de ex-membros expulsos, Koresh ordenou a compra de várias armas automáticas (prática permitida no Texas). Em 1992, autoridades federais iniciaram uma investigação contra a seita porque receberam a informação de que estava sendo produzidas metralhadoras na comunidade. Foi constatado que os davidianos possuíam um stand de tiro ao ar livre e que estocavam grandes provisões de alimento e munições, acreditando que logo se iniciaria um Holocausto. De fato, Koresh esteve por três vezes em Israel, prevendo que as tropas americanas invadissem a Palestina e ele próprio se levantaria como um anjo vingador.

No final de 1992, a ATF tomou frente no caso, suspeitando que a seita convertia armas semi-automaticas em automáticas, armazenava pólvora e produtos químicas utilizados como matérias-prima para fabricação de explosivos, e comprava equipamentos como máscaras de gás e óculos de visão noturna. Em julho do mesmo ano, foi descoberto várias granadas de mão em uma encomenda destinada aos davidianos, a qual foi novamente lacrada e entregue aos mesmos para que se conseguisse as devidas ordens judiciais para invadir a propriedade. A SWAT da ATF chegou a Monte Carmelo com um plano de assalto de duração inferior à um minuto. Porém, contrariando as expectativas, uma feroz resistência matou quatro agentes da ATF, além de seis davidianos. Deu-se então início a um cerco de 51 dias, que contou com a participação do exército, do FBI, da ATF e da polícia do Texas. Depois de infrutíferas tentativas de negociação, foi dada a ordem de invasão. Um tanque rompeu o muro da propriedade e a parede da casa, lançando gás lacrimogêneo dentro, o que não causou maior efeito, uma vez que os davidianos se encontravam com máscaras de proteção contra gases.

A invasão então tomou rumos mais violentos. Em algumas horas, a propriedades estava incendiada e fortes explosões ocorreram, matando 84 pessoas. Apenas dez dos ocupantes de Monte Carmelo se salvaram.

Waco
A propriedade em Monte Carmelo foi completamente incendiada após o início da sua invasão. 84 pessoas morreram.
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